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Não existe mais carinho na contemporaneidade das palavras.

Não existe mais carinho na contemporaneidade das palavras.

Sereníssima.

Bom dia! São 10 horas da manhã de uma ensolarada segunda-feira e, mesmo sendo o início da semana, as pessoas sorriem na rua e tudo acontece com muita naturalidade. O outono continua lindo, as folhas voam sem destino e deixam as árvores monocromáticas, reservando-se para o frio que ainda vai chegar. Tudo muito bem. Ando na rua como faço em qualquer outro dia, vejo o movimento nos prédios comerciais, nas panificadoras, nas farmácias, e até parece que de repente a harmonia dominou o mundo e tudo caminha como sempre deveria ter feito.

Sorrisos pra cá, cumprimentos pra lá, e o dia vai passando. Almoço tranquilo, já pensando nos compromissos do dia. Surge então uma sensação estranha de “essas coisas não vão acontecer hoje”, que eu ignoro por completo, e continuo respirando como sempre.

E então ocorre uma visita. Um “como vai?” cordial, amenidades sendo despejadas por ambos os lados, o tipo de conversa que parece banal e pouco merecedora de lembranças futuras. E aí, em meio a um sorriso do visitante, eis que eu sinto uma pontada. E outra. E outra. Dor. E eu me pergunto “mas por que isso?”, e a minha vontade já era gritar, quando ouço “só mais um pouquinho” e eu vejo uma parte minha, pequena, ser tirada em meio a muita, muita dor. E o meu sangue vai pra lá e pra cá, diz boa tarde e conversa banalidades, enquanto eu tento entender o motivo desses atos. Um pedaço meu foi embora, foi tirado sem que eu permitisse. Simplesmente se foi. E mesmo que não fosse nada, doeu a mim como se fosse aquela pinta que eu tenho desde que nasci, as sardas das quais eu reclamo cuja existência me faz ser eu mesma, e por alguma razão eu sei que não tenho como pedir aquela parte de novo. Já não é minha mais. A visita enfim acaba, e eu me sento no sofá, olhando ao redor e sentindo como se a casa toda tivesse sido invadida e revirada; como se a ordem das coisas tivesse sido jogada fora e eu só pudesse esperar que tudo se acertasse de novo. E mesmo descalça, com roupas velhas daquelas que só se usa pra ficar em casa, saí pelo portão, antes tão lindo que quase era poesia, agora tão triste, e caminhei pela rua tentando entender por que eu não estava preparada. E entendendo, finalmente, o que tantas pessoas sentem quando dizem que não estavam prontas pra algo que aconteceu; o que se sente quando algo muito íntimo é tirado de si à força e a única coisa que se pode fazer é esperar que isso acabe. E, de fato, uma hora acaba. Mas e agora? E essa sensação de que a sua vida foi invadida e você não pôde fazer nada? E a dor que ainda está aqui? O que eu faço com ela? Com esse medo de andar e doer mais, de ter que passar por isso de novo? O que eu faço com tudo isso?

Ser forte todos os dias, isso eu já aprendi, requer coragem. Ela não combina com medo, e é ele que deve estar longe pra que todo o resto flua. O medo de errar não se compara à vontade de acertar. Mas ser forte em cima de um salto, com um sorriso enfeitado pelo batom matte da estação e o brilho nos olhos realçado pelo rímel caríssimo que não deixa meus cílios respirarem é muito mais complicado. Não é fácil se preparar pra dor e ter que aguentá-la com naturalidade; não é natural. E, pior, é não saber controlar os impulsos quando se é um bicho machucado. É como se por um dia eu fosse um cachorro maltratado; eu entendo que ele seria relutante aos próximos que tentassem qualquer contato. E eis então o medo de novo. O batom borrado, o rímel manchado, o sangue sorrindo (“só mais um pouquinho”) e a sensação de ter um exército revirando as suas calcinhas enquanto você está na sala tentando tomar o seu chá. Dói na alma. O corpo regenera rápido, mas quando é que eu vou me esquecer dessa dor?

E essa noite chegando… Será que a solidão também faz cafuné?

Me parece a hora certa pra pedir socorro. A questão é que como não tive respostas para os meus “por quês”, eu não sei dizer por que eu quero ajuda. Só queria um colo com várias cobertas, uma mão no cabelo e uma voz suave dizendo “passou, passou, não vai acontecer de novo” como se fosse um mantra pra eu me convencer e não chorar mais. E quem dera o meu “socorro” não fosse cheio de espinhos.

socialsociety:

Are Prisons Obsolete? By Angela Davis
In this extraordinary book Angela Davis challenges us to confront the human rights catastrophe In our jails and prisons. As she so convincingly argues, the contemporary U.S. practice of super-incarceration is closer to new age slavery than to any recognizable system of ‘criminal justice. Download Link below and available for a minimal time.
http://www.4shared.com/office/uMxqwjNc/file.html?refurl=d1url
Please Re-Blog!

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Quando você percebe que condenando o seu dia ou não, o fato é que ele sempre terá uma beleza única. Que quem cuida e cura do seu corpo é você mesmo, e ninguém mais. Que um abraço é sempre bem vindo, mesmo nas horas em que o contato físico é tão deixado de lado porque o orgulho quer se manter no topo. Quando essas coisas passam a ser fatos consumados na vida, meu amigo, não há problema que abale esse seu dia.